Você já leu historias em quadrinhos?

Quando se fala em quadrinhos, o que vem à cabeça de muitas pessoas se resume a Super-heróis, Marvel, DC Comics, e com isso, acabam associando a algo que só crianças fazem ou utilizam-se do estereótipo do “nerd inseguro”, no maior estilo “The Big Bang Theory” mas não, quadrinhos vão muito além disso, caso não saiba, é nomeado também de nona arte.

Na França, a cultura de quadrinhos adultos já é disseminada e muito respeitada, de lá saem inúmeros clássicos, e no ano de 2009, a França inaugurou seu primeiro museu de histórias em quadrinhos.

Minha história com os quadrinhos, se iniciou em minha infância, se me lembro bem, tinha 11 a 14 anos e estava na casa de um amigo jogando RPG de mesa, quando eis que um jogador (novato na mesa) nos pergunta se já tínhamos lido o quadrinho de super-heróis chamado a “Guerra Civil” (vocês já devem conhecer um pouco da história, o filme saiu recentemente), ninguém do círculo tinha ouvido falar e ele, como um bom contador de histórias, nos contou todo o arco do quadrinho no qual me fascinou de imediato.

Mas foi só na oitava série que conheci outro amigo que nunca esquecerei, no qual teve forte influência nas culturas que consumo atualmente, ele me mostrou o rock n’roll e também os quadrinhos. Certo dia eu comentei que tinha ouvido falar a uns anos atrás de um incrível quadrinho onde os super-heróis brigavam entre si, logo depois que disse isso, ele me disse: “Ué, esse quadrinho não seria a Guerra Civil? Se você quiser emprestado, eu o tenho a edição resumida e encadernada” – e no dia seguinte, o quadrinho já estava em minhas mãos, estava contando as horas para o fim da aula de química (na qual eu odiava) para chegar em casa e ler essa obra, claro, quadrinhos de heróis não são de fato uma obra de arte, mas para uma criança na oitava série que amava ler e escrever (mas não sabia ainda) era de fato, maravilhoso.

Depois disso, mantive uma tradição de comprar e colecionar quadrinhos de super-heróis, além disso, sempre tentava aumentar meu filtro e buscar por quadrinhos diferentes nos quais entram no patamar de quadrinhos adultos, mantive uma ótima coleção e influenciei um amigo próximo a também colecionar.

No primeiro ano do colégio eu fiz basquete no Clube do Náutico, e descobri que perto da minha parada de ônibus, havia um Comic Shop, e logo se tornou minha morada após treino de basquete, deixei uma grande parcela da minha mesada lá e até hoje, alguns anos depois, tenho todos os quadrinhos dos quais adquiri.

Com um tempo, fui criando uma relação mais madura com os quadrinhos, optei por histórias mais adultas, como por exemplo; da linha Vertigo, que é um selo de quadrinhos mais adultos e artísticos da DC Comics, e lá descobri o que hoje seria o meu personagem preferido: Hellblazer, mais conhecido como o mago John Constantine, um anti-herói complexo e amargurado que luta contra o oculto.

Depois disso, passei a me interessar por quadrinhos mais artísticos e com valor literário maior, o primeiro deles foi Persepolis, a autobiografia de uma menina que cresceu em um ambiente de guerra civil e repressão no oriente, onde você vê desde de a sua infância até a sua fase adulta, e tal qual como um bom livro, o quadrinho me trouxe várias reflexões e sentimentos.

Hoje em dia, minha relação com quadrinhos é menor, mas de alta influência na hora de me trazer boas referências, desde quadrinhos independentes a quadrinhos consagrados eu sempre tento aumentar as minhas referências no meio.

Para quem gostou do texto e ficou interessado em adentrar nesse mundo, eu fiz uma pequena lista de alguns dos meus quadrinhos preferidos para indicar, tem variedade em estilos e narrativas que vão de críticas até fácil entretenimento.

Maus de Art Spieglman

A biografia do pai do autor, que conta de maneira pessoal, sobre os seus anos como judeu na época do nazismo, uma história emocionante na qual o autor retrata os judeus como ratos e os nazistas como gatos, com uma narrativa que atravessa as épocas e conta com inúmeros personagens envolvente e cativantes

Persepolis de Marjane Strapeli

A autobiografia de Marjane Strapeli, mostra desde a sua infância onde a os 10 anos de idade viu a revolução xiita no Irã no ano de 1979 até a sua idade adulta onde virou uma autora influente e respeitada no meio. Emocionante e esclarecedora.

V de vingança de Alan Moore

Um clássico que virou até filme, V de vingança foi escrito por Alan Moore em 1981 em um feriado, o autor em conjunto com o artista David Lloyd criou uma atmosfera única que exagera e crítica altamente a política fascista.

 

Hellblazer: Jonh Constantine de vários autores

Um mago britânico ex-vocalista de uma banda de punk rock, sarcástico, fumante compulsivo e muito interessante, esse é Constantine um dos meus quadrinhos preferidos, personagem profundo e cativante, uma espécie de anti-herói.  Leiam a HQ Abraço, escrita por Neil Gaiman.

Livros de Magia de Neil Gaiman

As más línguas dizem que a J.K Rowling se inspirou (copiou…brinks) em Livros de Magia quando foi escrever Harry Potter, a HQ é muito semelhante e tão boa quanto o  mundo mágico de Hogwarts. Conta a história de Timothy Hunter, um jovem garoto de óculos e cabelo liso que tem uma coruja e é o escolhido do mundo da magia (notou a semelhança?), o quadrinho parte do princípio onde 4 líderes do mundo mágico vão treiná-lo para uma futura batalha contra as trevas, ah, e um desse 4 mentores é o citado acima Jonh Constantine. Para quem é fã de Harry Potter é uma ótima leitura.

Espero que esse texto tenha impactado alguém tal qual como eu fui impactado quando era mais novo, e ouvi sobre a tal “Guerra Civil” da Marvel, claro que faltaram inúmeros clássicos para eu indicar, mas acho que os 5 citados vão ser o suficiente para ótimas aventurar visuais e literárias.  Até a próxima!

 

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