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Gestalt na Arquitetura

 

Dizem por aí que Arthur Schopenhauer, um senhor pra lá de simpático, dizia que Arquitetura é música congelada. Uma afirmação que pode gerar diversas interpretações e uma delas é a de que a Arquitetura pode ser percebida como um todo (música) formado por partes (notas musicais) colocadas de diferentes formas, gerando alguns resultados magníficos para a humanidade.

Ué, mas o que tem a ver com a danada da Gestalt que está no título?

A Gestalt é uma teoria fundada pelo psicólogo checo Max Wertheimer como uma pesquisa de orientação, compreensão e interpretação da nossa visão e da forma como enxergamos as coisas. É uma teoria que estuda como nós percebemos as coisas. Ela aborda os princípios que determinam que a nossa percepção não se dá por “pontos isolados”, mas sim, pela compreensão do “todo”.

No livro Gestalt do objeto: sistema de leitura visual, João Gomes Filho explica que a Gestalt elucida o fenômeno da percepção e afirma que tudo o que acontece no cérebro não é igual ao que acontece na retina. A excitação cerebral ocorre por extensão e não por pontos isolados. A primeira sensação já é de forma global e unificada. Ver-se relações e não partes isoladas, uma parte depende da outra.

Desta forma, quando se olha um projeto arquitetônico, percebe-se de forma mais rápida toda a construção em si e sua influência na paisagem em que está inserida, seja em forma de abrigo (uma casa) ou em forma de contemplação (igrejas). Por isso, o que se compreende primeiramente não é cada tijolo, coluna ou viga (a menos para quem já é da área e por conhecimentos técnicos já tenha o olho “treinado”) da construção, mas sim o conjunto completo que aquela obra arquitetônica está formando.

Para ser melhor compreendida a Gestalt tem alguns princípios que usam artifícios de partes isoladas para formar o conjunto e assim destacar o partido arquitetônico ou a proposta projetual. Na Arquitetura alguns desses princípios podem ser percebidos da seguinte forma:

UNIDADE –  Percepção da obra como um todo. O que se vê é uma forma única que se destaca por sua forma peculiar ou extensiva.

Centro Heyder Alieyb – Arquiteta: Zaha Hadid.

Museu de Arte de São Paulo. Arquiteta: Lina Bo Bardi.

SEGREGAÇÃOÉ possível destacar várias formas na obra. Ao contrário da unidade, percebe-se geometrias diferentes muito mais destacadas.

Sesc Pompéia. Arquiteta: Lina Bo Bardi.

UNIFICAÇÃO –  Elementos iguais ou semelhantes distribuídos de forma coerente e harmônica. No exemplo de Foster abaixo as janelas (elementos semelhantes) circundam um eixo.

Prefeitura de Londres. Arquiteto: Norman Foster.

FECHAMENTOA mente acrescenta os elementos em falta para completar uma figura, nesse caso a composição de um projeto.

Jardins do Palácio Gustavo Capanema. Paisagista: Roberto Burle Marx.

CONTINUIDADEOs detalhes que mantêm um padrão ou uma direção tendem a ser reunidos, resultando em um modelo único sem interrupção. No primeiro exemplo há um mobiliário, que complementa a arquitetura de interiores, e no segundo os arcos  que parecem ter sido desenhados sem tirar o lápis do papel.

Cadeira Panton. Artista: Verner Panton.

Igreja de São Francisco de Assis – Pampulha. Arquiteto: Oscar Niemeyer.

PROXIMIDADEO agrupamento parcial ou sequencial de elementos com base na distância.

Palácio da Justiça de Lisboa. Arquitetos: Januário Godinho e João Andresen.

SEMELHANÇAa mente agrupa os elementos similares numa só entidade.

Cobogó em uma residência.

Arcos da Lapa. Arquiteto: Leandro Joaquim.

PREGNÂNCIA DA FORMAAdaptação das formas mais simples em um local. Fácil (e rápida) percepção das formas em relação ao fundo, no caso arquitetônico em relação à paisagem. Nos dois exemplos não há dificuldade em identificar as formas das construções diante da paisagem em que estão inseridas. A pregnância cilíndrica e oval inquestionável.

Alguns exemplos se adaptam…

Biblioteca na Alemanha. Arquiteto: o gênio, Norman Foster.

Já outros…cof..cof..

Torre Gêmeas – Recife.

E aí?!  projetar pensando em Gestalt não é nada mal ein?!

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Alfredo Galamba