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Documentário além das entrevistas

Documentário é aquele gênero de cinema no qual várias pessoas são
entrevistadas a respeito de um tema, não é? Pois saiba que não! Por mais que
estejamos acostumados a pensar assim (principalmente por causa da TV), os
documentários vão muito além disso. Eles possuem estrutura, poética e
conceitos próprios, capazes de estimular a criatividade de qualquer cineasta com
curiosidade sobre o mundo real.

“Ah, deve ser muito complicado fazer um documentário, é coisa de jornalista…”.
Não, não é. Por mais que acabemos pensando dessa forma, o documentário não
está diretamente ligado ao jornalismo, embora ambos possuam características
em comum. Um produto jornalístico, normalmente, possui compromisso com a
objetividade, imparcialidade, com o fato de ter que ouvir os dois lados de uma
situação e, muitas vezes, entrega a informação já mastigada para quem assiste.

O documentário não tem esses compromissos e possui sua própria ética. Aliás,
muitas são as produções documentárias que nem entrevistas possuem. Um
exemplo é o filme Entreatos, filmado em 2002 por João Moreira Salles. Ele
acompanhou a campanha do então candidato Lula sem interferir em nada do que
acontecia, sem fazer uma pergunta sequer. Apenas filmava a ação que acontecia
na frente dele. De acordo com o teórico Bill Nichols, podemos chamar esse tipo
de filme de documentário observativo.

 

Assim como o exemplo acima, temos outros tipos de documentários ainda mais
impressionantes. Ainda de acordo com Nichols, temos o modo poético: aquele
em que a subjetividade e a estética estão em primeiro plano. O que isso quer
dizer? Apenas que esse é um tipo de produção documentaria na qual estimular
sensações é mais importante do que passar uma informação. Um exemplo é o
filme Regen (título em português: Chuva), de Joris Ivens. Produzido em 1929, o curta é simples: captura como é um dia de Chuva em Paris. Mas, nem por isso, deixa de ser interessante. Muito
pelo contrário!

 

Além dos modos observativo e poético, Bill Nichols propõe alguns outros, como o
participativo, reflexivo, expositivo e performático. Quem quiser saber um pouco
mais pode dar uma olhada no livro Introdução ao Documentário, um clássico do
autor. Além de falar dos modos, a publicação aborda a história, a ética, entre
vários outros temas ligados ao cinema documental. Se você gosta de cinema, vale
a pena se aprofundar um pouco mais!

 

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Alfredo Galamba