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Perigo adiante: Criando um chefão.

Saudações viajante!

Com certeza você leitor já enfrentou algum chefão em determinado jogo, e tenho confiança nas minhas palavras de que você também já perdeu para algum.

Um chefão ou boss são os oponentes controlados por uma inteligência artificial na maioria das vezes diferenciada dos demais inimigos, o objetivo deles é derrotar o jogador utilizando de técnicas especiais, geralmente sendo utilizadas em um determinado padrão durante 1 ou mais fases. Os mesmos são enfrentados em encontros especiais durante um jogo, como uma passagem de fase ou guardando um tesouro misterioso e são um forte agente de clímax em um jogo.

O primeiro jogo digital a contemplar de uma batalha de chefão foi o dnd(Abreviação para Dungeons and Dragons) que foi lançado no ano de 1974 no sistema PLATO. Durante o jogo você tinha de recuperar um orbe que estaria sendo guardada pelo temível e poderoso dragão de ouro. Sem sombra de dúvidas as lutas evoluíram muito até 2018 e o conceito de chefão e luta foi experimentado em vários formatos diferentes.

dnd, o primeiro jogo a contemplar um boss.

O que se passa na cabeça de um Game Designer ao criar um bom chefão? Várias questões são abordadas cautelosamente durante o processo de criação, a motivação do boss é algo importantíssimo que deve ser levado em conta, pois ela que irá definir o grau de intensidade da luta a ser desenvolvida no jogo e nível de dificuldade. Tomamos por exemplo o mmoRPG World of Warcraft, durante os eventos acontecidos na sua expansão Cataclysm os jogadores são postos em combate contra um dragão perverso cujo objetivo é destruir o mudo. O comportamento tomado pelo boss é algo que afeta na experiência do jogador, tomando atitudes maquiavélicas como queimar os personagens vivos entre outros, desenvolvendo um diálogo que ao mesmo tempo mostra sua perversidade e relevância na decisão dos players de enfrentar ele.

“Dor… agonia… meu ódio consome as profundezas cavernosas. O mundo estremece com o meu tormento. Seus reinos desprezíveis trepidam sob a minha fúria. Mas finalmente Azeroth inteira se partirá, e tudo queimará às sombras de minhas asas.” Deathwing – World of Warcraft

Além da motivação, outras características marcantes de um boss são a transição de fases, que se apresentam como uma troca de set de habilidades do mesmo ou o fortalecimento das anteriores. Este tipo de ação impede a repetição de ações feitas pelo jogador, fazendo que o mesmo tenha de tomar cautela durante a luta e traçando uma estratégia, fortalecendo a ideia de força do inimigo comum para o chefão. Um dos jogos que mais comentados em 2017 foi o Cuphead, jogo exclusivo da Microsoft produzido no Studio MDHR. Este é um jogo interessante de ser analisado pois é composto quase que completo de bosses. O mesmo mostrou para o mundo que as boss battles não precisam ser repetitivas e chatas, todos os encontros especiais são compostos por fases a serem seguidas com pequenas variações de ordem para cada tentativa do jogador, diminuindo a sensação de repetição e aumentando a sensação de recompensa ao conquistar o desafio imposto pelo game.

Claro que além de coisas relacionadas a mecânica e roteiro, a parte gráfica e sonora importa bastante. A ideia principal é você bater o olho naquela criatura e saber que ele é o líder a ser enfrentado, tendo a música do jogo se adaptando ao encontro especial entre jogador e chefão. Um boss que se destaca é aquele que tem uma cutscene do jogo reservada para ele, uma trilha sonora exclusiva daquele momento.

Fazer o jogador mergulhar no universo do jogo e se sentir um cavaleiro enfrentando o dragão ou até mesmo um encanador enfrentando uma tartaruga superdesenvolvida é um trabalho difícil, requer tempo e dedicação do Game Designer e da equipe que participa no processo de desenvolvimento do jogo. No final das contas não existe uma formula secreta para criar um chefão perfeito, a comunicação entre a equipe é algo fundamental e a opinião dos jogadores sempre deve ser levada em consideração para o balanceamento.

VICTOR CARVALHO

VICTOR CARVALHO

Victor Carvalho, nascido e criado na cidade de Recife. Cresceu rodeado de elementos do universo geek, sendo apresentado logo cedo a filmes, jogos, quadrinhos entre outros. Formado em Jogos Digitais pela UNICAP e atualmente é gerente de loja da Epic Player e Geek Gamer Store no Shopping Riomar.