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A Literatura na Publicidade

Pra falar sobre isso, preciso primeiro trazer um termo não muito comum: INTERGENERICIDADE. Trata-se da intersecção de gêneros literários, como por exemplo, Mar Portuguez, de Fernando Pessoa, um poema que conta histórias, ou seja a união da poesia com a narrativa. E onde o texto publicitário entra nisso tudo? Os gêneros literários podem ser uma grande arma para seduzir o leitor e ser bem compreendido.

A intergenericidade, ou intertextualidade intergêneros, ou ainda hibridização, é um fenômeno estudado pela linguística textual e está relacionada com os diferentes gêneros textuais. Os gêneros textuais fazem parte da comunicação e, por serem variadas as interações verbais, sejam elas orais ou escritas, são variados também os gêneros.  É uma forma criativa de uso dos gêneros na produção de um texto, sendo recurso para servir melhor à expressão de uma informação aos interlocutores.

Quando pensamos em um anúncio publicitário, por exemplo, algumas características do gênero surgem instantaneamente em nossa memória e, quando essa expectativa é quebrada por meio da intertextualidade intergêneros, somos surpreendidos com o rompimento do modelo cognitivo esperado. E quem não gosta de surpresas?

A seguir, veja como os variados gêneros literários podem nos ajudar:

1. A Crônica

A crônica é uma forma textual no estilo de narração que tem por base fatos que acontecem em nosso cotidiano. Por este motivo, é uma leitura agradável, pois o leitor interage com os acontecimentos e por muitas vezes se identifica com as ações tomadas pelas personagens. A crônica aproxima o autor de quem lê. Como se estivessem em uma conversa informal, o cronista tende a dialogar sobre fatos até mesmo íntimos com o leitor.

O texto é curto e de linguagem simples, o que o torna ainda mais próximo de todo tipo de leitor e de praticamente todas as faixas etárias. A sátira, a ironia, o uso da linguagem coloquial demonstrada na fala das personagens, a exposição dos sentimentos e a reflexão sobre o que se passa estão presentes nas crônicas.

Exemplo de Crônica: a imagem a seguir é de um comercial de absorvente íntimo veiculado em 1976, durante os Jogos Olímpicos de Montreal, no Canadá. Na foto, a ginasta Nadia Comaneci, a grande estrela do evento esportivo.

 

2. O Conto

O conto é um texto narrativo centrado em um relato referente a um fato ou determinado acontecimento. Sendo que este pode ser real, como é o caso de uma notícia jornalística, um evento esportivo, dentre outros. Podendo também ser fictício, ou seja, algo resultante de uma invenção.

No que se refere às origens, o mesmo remonta aos tempos antigos, representado pelas narrativas orais dos antigos povos nas noites de luar, passando pelos gregos e romanos, lendas orientais, parábolas bíblicas, novelas medievais italianas, pelas fábulas, chegando até os livros, como hoje conhecemos.

Exemplo: Anúncio do Ankilostomina Fontoura, vermífugo de combate à ancilostomose (amarelão), que usa o personagem Jeca Tatu e seu criador, o escritor Monteiro Lobato (1882-1948). A narrativa do escritor mostra a ancilostomose como a causa dos males do personagem:

3. Texto Poético

 

Um simples questionamento emerge como sendo a mola propulsora dessa discussão que por ora travamos: poema ou poesia? Pode-se dizer que por mais que estes termos sejam utilizados de forma recorrente, muitos ainda acabam confundindo e achando que se trata de dois elementos sinônimos, o que não é verdade.

Poesia se refere àquela circunstância de comunicação em que prevalecem algumas intenções voltadas para a subjetividade, para as múltiplas interpretações. Nesse ínterim, os recursos advindos do próprio emissor se tornam plenamente válidos, haja vista que o objetivo não é o de informar, instruir, mas sim o de entreter, provocar emoções, despertar sentimentos.

De tal estado, ou seja, de tal intenção demarcada por parte de quem escreve, provém o que chamamos de poema, considerado, portanto, uma unidade da poesia. Ou seja: todo poema é uma poesia, mas nem toda poesia é um poema. Veja as características:

  • O texto poético apresenta características que o distinguem dos outros textos:
  • A disposição gráfica, linhas desiguais, espaços brancos a separar as estrofes;
  • Cada linha do poema é um verso;
  • Os versos aparecem agrupados em estrofes;
  • O ritmo que é obtido pela repetição do mesmo número de sílabas ou pela acentuação das mesmas sílabas;
  • A rima e os recursos expressivos da língua.

Exemplo de Poema/Poesia: Poesia visual de Décio Pignatari (1927-2012) sobre a Coca Cola e publicidade do Guaraná Dolly, baseada no poema:

4. Literatura de Cordel

Literatura de Cordel é uma manifestação literária da cultura popular brasileira. Ela é típica do Nordeste, sendo muito notória nos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.

O termo “Cordel” é de herança portuguesa. Essa manifestação artística foi introduzida por eles no país em fins do século XVIII.Na Europa, ela começou a aparecer no século XII em outros países, tais quais França, Espanha, Itália, popularizando com o Renascimento.

No Brasil, a literatura de cordel representa uma manifestação tradicional da cultura interiorana do Nordeste que adquiriu força no século XIX, sobretudo, entre 1930 e 1960. Política, futebol, cangaço, coisas do cotidiano, tudo é cantado nos folhetos de cordel. Em relação à linguagem e o conteúdo, a literatura de cordel tem como principais características:

  • Linguagem coloquial (informal)
  • Uso de humor, ironia e sarcasmo
  • Temas diversos: folclore brasileiro, religiosos, profanos, políticos, episódios históricos, realidade social, etc.
  • Presença de rimas, métrica e oralidade, presentes também nos emboladores (cantam e tocam pandeiro) e nos repentistas (cantam e tocam viola)

Exemplo de Literatura de Cordel: Anúncio do Hospital Imijuno, de Juazeiro do Norte, Ceará:

A dica final que dou a você, redator, é que você procure referências nas suas aulas de literatura dos tempos de colégio.

 

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Taís Paranhos