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Você já parou para pensar na trilha sonora de um filme?

Eu já.

Além de amar cinema, música é algo que me encanta na mesma proporção só que de maneira diferente, e quando e sinto que uma trilha sonora foi usada da maneira correta, que emociona e complementa a trama, eu me envolvo mais com o filme.  Lembro-me que quando era menor, assistia Cavaleiros do Zodíaco todas as tardes, e uma das minhas partes preferidas era quando a trilha sonora entrava em uma cena dramática onde Seya derrotava o vilão em questão.

 Desde então minha relação com as trilhas se tornou mais intensa, e hoje em dia um dos meus exercícios favoritos após ver um filme, é logo em seguida ouvir a sua trilha sonora, me ajuda a pensar e me envolver com o filme, partindo de um olhar mais emocional com o cinema e sua crítica, o que me gera ótimos olhares sobre o cinema e a música.

Na maioria das vezes os filmes blockbusters entregam trilhas com hits pops, no quais servem para ajudar na divulgação do filme, isso pode ser legal se bem usado, mas o problema é que muitas vezes a trilha as vezes acaba sendo melhor que o filme, um exemplo disso é a trilha do filme Esquadrão Suicida (2016), que foi um fracasso de bilheteria e crítica, mas conseguiu uma boa divulgação com a sua trilha sonora variada.  Por outro lado, vemos um bom uso da trilha de hits pop que o filme Guardiões de Galáxia (2015) fez, traz uma trilha que é contextualizada no filme, trazendo assim um significado maior para as músicas.

Walkman e Fita k7 do filme Guariões da Galaxia (2015)

Mas e se a trilha tem a intenção de ser boa e ditar um sentimento de um personagem e acaba fracassando? Isso pode ser bem comum em cenas de romances por exemplo, onde tem uma música central que tem uma letra com apelo emocional forte, fazendo assim a música ter muito mais significado que a cena, causando o efeito clipe musical na cena do filme. Erros são comuns, e vão ser sempre cometidos, mas se olharmos por um ponto onde a trilha sonora é um dos quesitos mais impactantes emocionalmente para um filme, nós podemos tirar uma harmonia entre a imagem e a música.

Nós filmes arte, por assim dizer, a trilha sonora emprega um papel diferente, muitas vezes complementando a narrativa dos filmes e as vezes sendo quase que o personagem vivo.

A trilha sonora do longa Me Chame Pelo Seu Nome (2017), é outro exemplo de bom uso da trilha sonora em um filme, com músicas que se encaixam perfeitamente na trama, nós temos uma trilha que nos traz o sentimento de ambientação, principalmente nas cenas em que o piano é usado.  Usando assim a técnica conhecida como Som dietético: música que os personagens tocam ou escutam e serve com trilha sonora.

Cena onde o Som Digético entra em Me chame pelo seu nome (2017)

Quando a trilha sonora de um filme cria uma atmosfera, ela ajuda a criar um tom para a cena, pegando você pela mão e indicando que emoção sentir, por isso muitos filmes são lembrados por suas trilhas, porque elas são integradas de maneira quase natural.  Seja a música da cena emocionante, ou a música dos créditos, se a música está lá, ela deve ter um papel complementar no filme o “sentimento” do filme.

Desde os filmes mudos a trilha sonora orquestrada ditava o sentimento dos personagens, e com o passar do tempo ele foi diminuindo o seu papel, mas para alguns cineastas, as trilhas se tornaram essenciais para formar um bom filme. Um exemplo deles é o diretor Akira Kurosawa, que na década de 50 realizava filmes com grande apelo em suas trilhas sonoras, fazendo parceria com compositores que geraram trilhas que inspiraram gerações. Logo após isso, perto dos anos 60 surgiu um novo gênero no cinema o Western Spagetti que são os filmes em faroeste italianos iniciados pelo diretor Sergio Leone, introduzindo assim um dos maiores compositores do cinema Ennio Morricone, que emplacou trilhas nos clássicos filmes.

Ennio Morricone e Sergio Leone

Lá ele introduziu a música tema para personagens de filmes, no filme The Good, The bad and The Ugly, mas conhecido no brasil como Três Homens em Conflito, ele usa o artificio nomeado de: Leitmotif , que coloca uma música tema para os personagens, música a qual se repete várias vezes no filme, o  que nos faz ter um elo maior com os personagens, criando  assim uma conexão com espectador.

Desde então essa técnica foi adotada por inúmeros compositores e cineastas, principalmente nos filmes de heróis, e uma das mais famosas dos últimos anos são as do filme Mulher Maravilha de 2015.

As parcerias entre diretores e compositores ficaram cada vez mais comuns, os diretores assumiam um papel de autores intimistas de suas próprias obras, deixando a sua essência no filme e se envolvendo também na trilha sonora.

No quesito de músicas orquestradas, lembro de filmes como o primeiro longa da trilogia das cores: Three Colors: Blue (1993) (Azul) , no filme a música é um personagem que expressa a tristeza da protagonista, que recentemente perdeu sua filha e marido em um acidente de carro.  A música no filme é algo bem recorrente, visto que o falecido marido da protagonista estava terminando uma composição orquestrada que iria homenagear unificação a Europa, sendo assim a música emprega um papel de tristeza momentânea quando empregada em conjunto com a cor azul que o filme coloca por toda a trama.

Cena do Filme A Liberdade é Azul (1993), em que a música e a cor estão em harmonia.

E recentemente a trilha que mais me marcou foi a do filme Trama Fantasma (2017), na qual é toda orquestrada e tocada durante as cenas do filme, com grande apelo emocional ela traz 4 versões da música principal, com vários tons, desde tristeza até alegria. Uma curiosidade é que ela foi composta pelo guitarrista da banda americana Radiohead. Dessa vez Jonny Greenwood mostra seu talento além das guitarras nessa trilha de uma forma única.

Jonny Greenwood

Já em filmes que temos músicas integradas, nós temos 2 diretores para destacar: Martin Scorsese e Quentin Tarantino.

Scorsese, é um diretor da velha guarda que usa as músicas em meio à o silencio de seus filmes, todas as músicas fazem parte da sua vida, e em sua maioria rock dos anos 60 e 70. Filme no qual ele usa a música bem, é o premiado Bons Companheiros (1990). Já o diretor Quentin Tarantino que é famoso por suas trilhas sonoras, diz que ele mesmo escolhe as músicas para cada cena, e escolhe músicas dos seus próprios discos, pois ele quer que o espectador tenha o mesmo sentimento que o dele ao ouvir aquela música.  Um exemplo de bom uso da música em seus filmes é do longa Django Livre (2014), no qual ele mistura músicas atuais tocando desde rap até a genial música faroeste de Ennio Morricone. 

Quentin Tarantino e Ennio Morricone

O compositor John Williams é um grande nome das trilhas sonoras de filmes, já foi indicado inúmeras vezes por suas composições, e emplacou clássicos que servem de inspiração até hoje, como: Star Wars (1977), Jurrasic Park (1993) e   Tubarão (1975).  A minha preferida é a trilha em que o compositor fez em conjunto com o diretor Steven Spielberg em Contatos imediatos de 3 Grau (1977), na qual também a música exerce um papel quase como um personagem do filme.

John Williams e Steven Spielberg

Outra parceria que vale ser citada é a de Bernard Herrmann com o diretor Alfred Hitchcock Em Psicose (1961)  ele usou a música em conjunto com a sonoplastia da cena, o que causa horror no espectador, já em Corpo que Cai (1958) ele tem uma trilha sonora que quase causa vertigem no espectador.  O compositor também é conhecido por sua trilha em  Taxi Driver (1976) de Martin Scorsese ele traz a agonia do personagem, e sua inquietação com a sociedade atual.

Bernard Herrmann compondo o clássico Psicose.

Acho que já deu para entender o quão uma trilha sonora pode ser essencial em um filme, e por isso a seguir vou deixar uma playlist do Spotify com as trilhas que indiquei (recomendo fortemente que vejam os filmes antes): Aqui

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Vinicius Lins