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Feminino e feminista: Para ter onde ir, de Jorane Castro

Nesta terça, 29, estreou no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco, o primeiro longa da diretora paraense Jorane Castro. Com um título díspar e apaixonante “Para ter onde ir” (2017) é um road movie feminino e feminista, que toca nosso coração com seus poucos diálogos e suas imagens abertamente naturais.

O longa acontece a partir do encontro de três mulheres, de diferentes origens e personalidades: Eva (Lorena Lobato), a mais séria e que detém melhor poder aquisitivo, Melina (Ane Oliveira), jovem de baladas e bebidas, e Keithylennye (Keila Gentil), ex-cantora de techno brega que largou a carreira para ser mãe em tempo integral. As três são unidas pelo carro de Eva, personagem central da trama e dona do automóvel que as guia numa busca pessoal rodada nas estradas do Pará, da cidade grande, Belém, à praia  de águas exuberantes e místicas, em Salinopólis.

 

As três partem nessa viagem, cada uma com um objetivo diferente, e encontram na estrada uma direção para uma busca pelo autoconhecimento. É tentando encontrar outras pessoas que Eva, Melinda e Keithy se encontram, entre elas e cada uma consigo mesma. A tríade traz simbologismos do sagrado feminino, força, poder e sexualidade feminina, sororidade, e seu encontro com a mãe natureza, entre rios, chuva, mato e praia. O filme é sempre rodeado de água, seja caindo do céu, no meio da floresta ou exacerbada pelo oceano.

O filme é rodado sem diálogos extensos, mas que quando acontecem são certeiros para entender a história das personagens, assim como são envolvidos de filosofias acerca de amor, família e questões femininas. A falta de grandes diálogos dá uma abertura quase integral para a visão, com uma fotografia cheia de reflexos, sombras e paisagens. Um belo trabalho de Beto Martins (A História da Eternidade).

 

 

A extensão das cenas fotográficas são levadas até mesmo nas horas mais “pops”, onde o som de aparelhagem toma conta do filme e podemos presenciar uma cena de longa exposição, no qual as luzes das festas de techno brega paraenses se misturam ao som eletrizante da festa. Cena, aliás, em que a personagem mais desprovida, economicamente e de presença no filme, toma conta de tudo, com uma atuação elétrica de Keila Gentil, ex integrante da Gang Eletro. Para mim, sem dúvida, uma das melhores cenas do longa.

A captação do som, quase sufocante, da natureza crua é outro papel de destaque. A natureza e sua feminilidade tomam conta dos nossos olhos e ouvidos ao longo de toda película. Não é preciso de muito para encontrar o que Jorane quis dizer com seu longa de estréia, só é necessário sentir. E sentir é magia intrínseca feminina.

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Raiza Hanna