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Meu cabelo é tipo ruim?

   Por anos e anos acreditei que o meu cabelo era errado, feio, estranho. Cresci ouvindo que além de “ruim”, era preciso “domá-lo”, e prendê-lo porque “o volume e frizz chamava muita atenção”. Era dessa forma que os meus colegas de classe, professores, e alguns familiares – de forma inconsciente ou não – se referiam ao meu cabelo cacheado.

Quem nunca foi à cabeleireira e ouviu “vamos fazer uma escova?” por justamente “ser mais prático e fácil lidar com esse tipo de cabelo”? Pois é. Diante da pressão pelo “cabelo perfeito”, lê-se alisado, sem frizz e sem volume, comecei com procedimentos químicos como a escova progressiva aos 14 anos.

O método é um alisamento permanente dos fios, que contém em sua composição o formol, um composto orgânico altamente tóxico e que possui uma vasta gama de aplicações. É usado, por exemplo, como desinfetante (mata a maioria das bactérias), conservante (muito usado no embalsamento de cadáveres), na fabricação de resinas sintéticas, tintas, plásticos, espelhos, vidros, cosméticos e até mesmo em explosivos.

Devido à sua toxicidade, o formol causa diversas reações maléficas ao corpo humano quando ingerido, inalado ou quando entra em contato com a pele. É irritante para os olhos, nariz, garganta e pulmões. Além disso, o formaldeído é considerado um agente cancerígeno para os seres humanos.

Pois é. Durante seis anos da minha vida eu passei por esse processo de alisamento extremamente tóxico para o meu organismo, quando nem mesmo a Anvisa havia determinado quantos % de formol deveria se ter em cada produto (hoje em dia é permitido apenas 0,2%). Ou seja, devido ao excesso de formol no produto que era aplicado no meu cabelo, o meu couro cabeludo sofreu escamações e várias outras reações alérgicas, resultando em um corte químico.

Foi então que em 2014 decidi que era a hora de parar, primeiramente pela minha saúde, e depois para realmente descobrir quem era a verdadeira Mayara por trás do alisamento, como era o meu real cabelo que até então eu praticamente desconhecia.

Sem perceber, entrei no processo de transição capilar, que consiste em deixar o cabelo natural crescer e meses depois realizei o chamado “big chop”, ou seja, cortei toda a parte alisada do meu cabelo para então assumir os meus cachos. Criei a página “De Cacho pra Cacho” no Facebook, com o objetivo de incentivar pessoas a entrarem ou continuarem na transição capilar, por meio de fotos e depoimentos de várias crespas e cacheadas falando de suas experiências de vida antes, durante e depois da chapinha. Passei então, a ajudar pessoas que estavam na mesma situação de redescobertas que nem eu, e hoje a página conta com mais de 174 mil curtidas.

No final de 2016, resolvi migar o projeto para o Instagram, e hoje o @emtransicao já conta com mais de 43 mil seguidores. Transformei, sem pretensão alguma, o momento de dificuldade em que eu estava vivendo em oportunidade de redescobertas e inspiração para outras milhares de pessoas. Permaneci com o cabelo cacheado durante três anos, até 2017, quando mais uma vez me rendi ao alisamento por ter estragado o meu cabelo devido a colorações excessivas e a um relacionamento abusivo, que serão assuntos para os próximos artigos. Mas logo logo os meus cachos saudáveis estarão de volta novamente, já que estou em transição capilar desde abril de 2018.

O que quero que você saiba, é que não importa a textura dos seus fios. Seja ele cacheado, ondulado ou crespo, ele é lindo e merece uma chance de ser conhecido. Faz parte de você, da sua identidade e de quem você é. Autoaceitação, amor próprio, e a desconstrução de preconceitos e tabus é algo diário, lento e que demanda paciência e entendimento. Mente e corpo precisam estar em harmonia. Se é realmente o que você quer, então respira fundo e vai! Não é fácil, mas é possível ter o seu cabelo de volta, sim! Sou a prova viva disso e cá estou neste processo pela segunda vez. Lembre-se: não existe cabelo ruim, ruim é o preconceito.

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MAYARA

MAYARA

Jornalista por formação, influenciadora digital de coração e empreendedora de corpo e alma.

5 thoughts on “Meu cabelo é tipo ruim?

  • 16/08/2018 at 16:27
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    Tou amando tudo isso!♥️

  • 16/08/2018 at 14:20
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    Aiiin que tooop. Eu decidir parar de eecovar e chapiar o cabelo acho q em abril(ou antes) de 2017. Meu cabeli tava mega danificado,principalmente as pontas(rebitadas) e decidir cortar.(doeu e ao mesmo tempo nao) kkkk mais valeu a pena. Sim! Esses meses deu vontade de desistir,dai pensei: – fiz todo o procedimento ate agora e desistir? Naao! E to amando as suas dicas.
    Parabens. E obrigada por tudo.

  • 15/08/2018 at 23:27
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    Interessante, Mayara. Gostei do texto.
    Parabéns pela iniciativa.

  • 15/08/2018 at 22:50
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    Maravilhosa!

  • 15/08/2018 at 08:54
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    Ansiosa pelos próximos artigos <3

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