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Olavo Bilac, o ourives das letras, também fez texto publicitário

Já havia escrito outras vezes sobre a Literatura na Publicidade, mas dessa vez peço licença para escrever sobre o mais parnasiano dos poetas brasileiros: Olavo Bilac (1865-1918). Nascido no Rio de Janeiro, chegou a cursar duas faculdades: Direito e Medicina, não terminando nenhuma das duas. Acabou vivendo como jornalista e foi na Literatura onde se encontrou. Para viver, o poeta também escreveu textos publicitários e participou de comerciais como o do Xarope Bromil, cujo slogan Cura qualquer tosse em 24 horas é se sua autoria:

Outro de seus textos que fez um grande sucesso, foi o comercial pra uma marca de fósforos, pelo qual Bilac recebera 100$000 (100 Contos de Réis):

AVISO A QUEM É FUMANTE

DO PRÍNCIPE DE GALES COMO O DOUTOR CAMPOS SALES*

USAM FÓSFOROS BRILHANTE

(*Campos Sales era o Presidente da República na época)

 

Certa vez, o talento literário de Bilac acabou atrapalhando uma venda de um sítio.

 

O dono de um pequeno sítio, amigo do grande poeta Olavo Bilac, abordou-o na rua: 
Sr. Bilac, estou precisando vender o meu sítio, que o Senhor bem conhece. Pode redigir o anúncio para o jornal? 
Olavo Bilac apanhou o papel e escreveu:

VENDE-SE ENCANTADORA PROPRIEDADE, ONDE CANTAM OS PÁSSAROS AO AMANHECER; COM EXTENSO ARVOREDO, CORTADA POR CRISTALINAS E MAREJANTES ÁGUAS DE UM RIBEIRO. A CASA BANHADA PELO SOL NASCENTE OFERECE A SOMBRA TRANQUILA DAS TARDES NA VARANDA

Meses depois, topa o poeta com o homem e pergunta-lhe se havia vendido o sítio. 
“Nem penso mais nisso”, disse o homem. “Quando li o anúncio e percebi a maravilha que tinha! Desisti imediatamente de vender aquele paraíso”! 

 

O cuidado e o preparo que Olavo Bilac tinha com as letras bem que pode servir de lição pra muitas pessoas hoje em dia. Não é preciso escrever rebuscado ou difícil. Basta seguir direitinho as regras da língua portuguesa e dar beleza às letras, como ele fez neste trecho do poema Profissão de Fé:

Invejo o ourives quando escrevo: 
     Imito o amor 
Com que êle, em ouro, o alto-relêvo 

     Faz de uma flor.

Imito-o. E, pois, nem de Carrara 
     A pedra firo: 
O alvo cristal, a pedra rara, 
     O onix prefiro.

Por isso, corre, por servir-me, 
     Sôbre o papel 
A pena, como em prata firme 
     Corre o cinzel.

 

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