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Star Wars por todos os lados: transmídia é a Força no mundo real

Atualmente, fala-se sobre Star Wars e se encontra referências da franquia em todos os lugares. Não é a toa: ela realmente se colocou por toda parte. Mesmo que muito dessa presença seja espontânea, a Disney planejou e executou a continuação desse fenômeno da ficção científica como mais produtor de conteúdos nos diferentes meios midiáticos possíveis do que já era e tinha sido, fortalecendo os laços com os fãs antigos, conquistando novos e sendo eternamente um sucesso de bilheteria e engajamento. Nada melhor que o conceito de narrativa transmídia para explicar isso tudo.

Fonte: Star Wars Battlefront

Você sabe o que é uma narrativa transmídia?

Conceito apresentado por Henry Jenkins em seu livro Cultura da Convergência, lançado em 2008, narrativa transmídia ou transmidiática é aquela que se constrói através de várias mídias diferentes, cada uma contribuindo de maneira adaptada ao seu propósito e e distinta para o Universo de sua história. A ideia dessas franquias é sempre se expandir, agregando novas tramas e personagens lançados nesses vários meios, de modo que se evite a repetição de um mesmo enredo e fidelize seus fãs ao longo do tempo, que recebem grande poder participativo para sua construção.

E, afinal, o que Star Wars tem a ver com isso tudo?

A resposta é: tudo! Desde o seu primeiro filme, Star Wars: Uma nova esperança (1977), a franquia sempre teve caráter transmidiático crescente ao longo do tempo e, mesmo em seu auge de produções na primeira década dos anos 2000, foi de maneira bem mais discreta comparada a hoje dia, depois da compra da Lucasfilm pela Disney em 2012. Embora, antes dessa data, já fossem vistas HQs, livros e produções como jogos de videogame e séries de desenho animado (Star Wars: The Clone Wars), a Disney tornou Star Wars  um fenômeno da narrativa transmidiática bem planejada, servindo de exemplo quase perfeito para o conceito.

Além dos filmes e por conta deles

Quase todos os conteúdos da saga que não são do Cinema, são aprofundamentos e desdobramentos de sua história principal, principalmente agora que todos estão mais articulados entre si:

Na internet, o canal do Youtube de Star Wars cria bastante conteúdo. Além de transmitir as coberturas inteiras de premieres, publicar notícias e vídeos dos bastidores, lançou uma websérie chamada Star Wars: Forces of Destiny, com episódios de histórias inéditas das principais personagens mulheres do filme. A série tem um estilo bem diferente do que já foi visto, até na forma de desenho em que foi produzida, o que, naturalmente, chama atenção de novos públicos .

Star Wars: Forces of Destiny (2017) está disponível no Youtube. Fonte: Star Wars/Disney

No mundo offline, livros e HQs são publicados regularmente. Geralmente, explicam histórias de personagens já existentes, apresentando novos e preenchendo lacunas dos filmes, os quais muitas vezes dão anos de pulos na cronologia da saga.

O principal jogo de videogame é o Battlefront, com ênfase na sua segunda versão, lançada no final de 2017, que apresentou o modo de jogo de campanha (veja o trailer desse modo aqui)em que o jogador pode imergir em uma nova história Star Wars, que é totalmente vinculada cronologicamente aos filmes novos.

A série de TV Star Wars Rebels (2014) apresenta uma história inédita e bem contextualizada, o que agradou muito aos fãs da saga de todas as idades.

Star Wars Rebels (2014) passa na Disney XD e já está em sua última temporada. Fonte: Star Wars Rebels/Disney

Redes sociais e a cultura da convergência

Os perfis de Facebook, Instagram e Twitter são essenciais nesse processo todo. Propagam basicamente o mesmo conteúdo, que consiste em funcionar como teaser dos filmes e séries e de promover as outras produções  já citadas, com vídeos de bastidores e de divulgação, levando o usuário à ação final, seja acessar o canal do Youtube da franquia, comprar os ingressos do cinema ou até dar curiosidade para eles sintonizarem na Disney XD na hora da transmissão de Star Wars Rebels.

Bastidores de Star Wars: Os Últimos Jedi. Cena de um dos vídeos de divulgação do filme que foi publicado nas redes sociais. Fonte: Star Wars/Disney

A cultura da convergência, outro conceito estudado por Jenkins, observa que estamos caminhando para a convergência midiática dos conteúdos. Mesmo que em vários tipos de plataformas e mobiles diferentes, consumimos os mesmos conteúdos, que se distinguem soente na forma em que se adaptam em seu meio. No caso, os perfis de Star Wars moldam o seu conteúdo de acordo com a estrutura da rede social que fazem parte.

O que isso tudo representa?

Toda a franquia se articula de modo que suas produções estejam, de certa forma, ligadas, acrescentando novas informações e contextualizando o máximo possível as histórias de seus personagens, sempre adaptando-os ao contexto atual da sociedade. Não suficientemente, também se mostra presente em quase todas as plataformas e meios de comunicação, que em comum possuem conteúdos inteiramente transmidiáticos.

O resultado

O que isso tudo gera é enorme: inúmeras pessoas, canais, críticos, programas, séries falando e soltando referências de Star Wars de maneira espontânea. A série Stranger Things da Netflix, por exemplo, abusou de referências a Star Wars em sua segunda temporada. E o mais importante ainda: a renovação de uma nova geração de fãs e manutenção da fidelidade de grande parte dos antigos – todos participando ativamente no processo de construção da saga, seja em feedbacks positivos e negativos pelos comentários nas redes ou em produções próprias.

Personagem Eleven, de Stranger Things, usando seu poder que muito se parece aos poderes da “Força” do Universo Star Wars. Fonte: Stranger Things/Netflix

Se antes já fosse, a Disney conseguiu aumentar e reascender o caráter universal da saga. Construindo, cada vez mais, a categoria de cultura geral às tramas de Star Wars – gostando ou não da franquia, todo mundo está conhecendo suas aventuras e personagens. O que torna não só o consumo de sua produções massificado, como também intensifica a compra de seus produtos oficiais derivados (bonecos, fantasias, jogos, etc.).

Fãs fantasiados na Star Wars Celebration 2017

 

A expressão icônica “Há muito tempo em uma galáxia muito, muito distante” nunca fez tão pouco sentido: o aspecto transmidático de Star Wars faz todo o seu universo, cada vez mais, parecer mais próximo, familiar e contemporâneo.

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Referências

JENKINS, Henry, Cultura da Convergência. 2. ed. – São Paulo :Aleph, 2009. p. 136

Site oficial Star Wars Brasil: http://br.starwars.com/

 

 

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Alfredo Galamba