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Quem tem medo de se lembrar?

O recurso “Lembranças” no Instagram entrou em fase de teste em 21 de janeiro e desde então dá o que falar! A atualização aparece como notificação, lembrando os usuários de fotos antigas e os convidando a repostar a publicação no stories junto com a data original da postagem. Realizando algumas pesquisas, li vários tweets de pessoas que afirmaram terem “saído” do Facebook por causa da importunação que era acordar num belo dia de sol e receber o bom dia do Face junto com uma lembrança.

Felicidade por recordar momentos incríveis ou revolta por lembrar dos micões e voltas que a vida dá, o fato é que ou você ama ou odeia a ferramenta. Uma hora ou outra, seja de 1 ou 5 anos atrás, você vai se deparar com alguma lembrança (inclusive nas fotos arquivadas). No fundo no fundo, a ideia é incentivar a atividade, o engajamento e exibir mais anúncios aos usuários, mas cá entre nós: que dói, dói.

Um hábito forte dos instagrammers é apagar publicações que já não fazem mais parte do presente. Um bom exemplo é a exclusão de várias fotos após o término de um relacionamento, algumas @ fazem uma verdadeira devastação em suas contas. Para onde vão essas lembranças? Temos medo de lembrá-las? E por que necessitamos mostrar para o outro de forma tão incisiva que certas coisas não fazem mais parte da nossa vida?

É fácil responder que está tudo salvo no computador, mas quando você trocar de computador vai fazer questão de acessar aquelas fotos que excluiu das redes por medo do afeto que ela carrega? E você sabe verdadeiramente onde a foto está, ou ela está em algum lugar dentro do buraco negro de pastas do seu computador? Falando nisso, você resgatou as fotos do finado Orkut?

Essas fotos que não se perdem nem caem dos livros quando usadas como marca-páginas, não sofrem fisicamente a ação do tempo nem precisam de cuidados. Elas viram um amontoado de lembranças e desejos esquivos, coisas que, como diria Tim Maia: “não quero ver para não lembrar”.

A graça é que procurando um álbum de fotos (físico mesmo, esses que nossos pais e avós guardam), notei como a procura por esse ítem está cada vez menor, e digo isso por ter sido uma das poucas clientes a ir de loja em loja buscando algo legal e com dimensões maiores que 10×15 (não quero usar uma lupa). É interessante notar que o álbum de fotografia favorece o acontecimento de um evento, é um motivo para família ou amigos se reunirem para rever e relembrar momentos.

Foi pelo álbum de família, por exemplo, que muitos passaram a conhecer a história da sua gestação e puderam conhecer familiares que só ouviam falar. E hoje, com os álbuns digitais expostos nas redes, quem se reúne para relembrar o que está no feed? E atire a primeira pedra quem nunca excluiu um “momento” e tem o Instagram real original desde os primórdios! O álbum de fotos moderno é repleto de faltas. E apesar do clichê da publicização da vida no mundo digital, existe envolvido também um desprendimento grande dos afetos.

Rebobinando um pouquinho a música de Tim Maia, ele dizia que “na parede do meu quarto, ainda está o seu retrato, não quero ver para não lembrar, pensei até em me mudar”. A realidade é que se “você marcou em minha vida, viveu morreu na minha história”, estando na parede do quarto, nos álbuns de fotografia, nas lembranças do Instagram ou na lixeira eletrônica, nossas memórias existem e têm uma duração incrível.

Precisamos aprender a lidar com essas lembranças e enxergar de forma positiva os momentos que se foram, para não nos fecharmos para os momentos que virão e fotos que ainda vão ser tiradas e postadas com legendas bonitinhas. Afinal, se nada nos lembrássemos sobre o passado, não seríamos quem somos nem teríamos histórias para contar.

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Giselle Cahú

Jornalista, fotógrafa, produtora de conteúdo que escreve uns poemas de vez em quando e adora contar histórias.

3 thoughts on “Quem tem medo de se lembrar?

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    03/04/2019 at 09:26
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    Nossa. Que reflexão incrível. Nota mil. Mexeu comigo. Me deu, depois de muito tempo, algo para refletir sobre tantas coisas. Parabéns Giselle.

  • Avatar
    02/04/2019 at 22:51
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    Caramba. Que texto perfeitoooooo

  • Avatar
    02/04/2019 at 09:06
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    Memória é uma ilha de edição, já diria o poeta Wally Salomão. Que você construa belos álbuns, digitais e analógicos, de momentos felizes, Gi.

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