Blog – expoLAB

Quanto menos online, mais ultrapassado – A nova cara das assessorias de imprensa

A modernidade, como o pão-de-cada-dia da sociedade, tem demonstrado que quanto mais longe das redes sociais você estiver, mais ultrapassado você estará. Ninguém escapa da realidade virtual, muito menos as empresas e, automaticamente, seus guardiões: as assessorias de imprensa.

O tic-tac do relógio que conhecemos é tão rápido quanto as mudanças enfrentadas pelo século XXI. O ser humano moderno é instigado, então, a avançar em seu comportamento e relações. Sem perceber, todos entram em uma corrida sem fim para chegar ao primeiro lugar: o destaque. Dessa forma, encontramos em todos os cantos indivíduos e organizações se especializando freneticamente para sobreviver com excelência.

A assessoria de imprensa continua mantendo sua essência, porém anda avançando na forma de comunicação para obter cada vez mais êxito ao tentar conquistar a mídia através de um bom relacionamento e imagem positiva. Seu objetivo não mudou: informar a missão de seu cliente ao público, bem como sua política e prática, garantindo credibilidade.

Profissionais de relações públicas, os quais são articuladores do jogo juntamente com profissionais capacitados em jornalismo, publicidade, relações públicas e marketing, vêm se adaptando nas redes sociais e ganhando destaque ao expor sua marca, produto ou serviço. Seu esforço tem possibilitado novas relações com seu alvo por meio de exposição estratégica.

Para divulgar seu trabalho, as assessorias analisam as mídias de seu cliente, configurando o que for necessário e se integrando em sistemas de avaliação e relevância online. Além disso, é necessário contar com ferramentas de marketing para definir a “persona”, que é basicamente uma representação fictícia do público a ser atingido. Dessa forma é criada uma “pessoa” com características gerais dos que serão impactados, humanizando o processo.

Algumas das informações coletadas são: idade mais recorrente, classe social, perfil de formação, objetivos de vida, redes sociais mais utilizadas etc. Persona e público-alvo são diferentes, sendo que o primeiro é mais objetivo e o segundo é mais abrangente.

Com esses dados, a assessoria de imprensa identifica as melhores redes para colocar seu trabalho em prática. Atualmente é possível trabalha com 4 tipos de mídias, sendo elas:

  • Espontânea: é considerada uma mídia em que há “provocação”. Dessa forma, a assessoria trabalha em parceria com influenciadores digitais e veículos de imprensa para divulgar assuntos de interesse. É possível, portanto, conquistar o público de forma duradoura com temas relevantes e personalizados, sem custo para a divulgação.
  • Paga: a empresa paga para ter espaço dentro da mídia, podendo ser jornal, revista, TV, rádio, sites e lugares públicos. Dessa forma, a assessoria pode conquistar um grande número de pessoas, porém, por ser pago, tem um custo alto.
  • Proprietária: é a mídia que a empresa produz para si, divulgando seus assuntos por e-mails, revistas, redes sociais e sites. Ela contribui com o crescimento do marketing de conteúdo e consegue controlar a divulgação com um baixo custo. As informações chegam penas ao público que já acompanha a marca.
  • Social: é onde as assessorias conseguem melhor contato com a “persona”, através de publicações de conteúdos de maneira virtual. Quanto mais a empresa souber compreender e colocar em prática o tipo de linguagem da mídia em que escolher atuar, mais sucesso obterá.

Yolanda Drumon é assessora de imprensa há 14 anos. Seu trabalho é um híbrido entre comunicação interna e comunicação externa. No primeiro caso, o foco é envolver o público interno por meio de matérias veiculadas no portal, notas no Facebook, postagens no Instagram, mails-marketing, comunicados e TV interna. No segundo caso, há fomentação de pautas que sejam compradas pelos veículos externos, ou seja, veículos de imprensa. 

A assessora entrevistada notou que nos últimos 5 anos, nota-se uma grande mudança muito de perfil do assessor de imprensa. O perfil clássico exigia o estudo sobre meios de comunicação clássicos, quer fossem online, impressos, TVs e rádios. O assessor estudava também o perfil dos veículos e de seus clientes, bem como suas pautas, posteriormente sugeridas aos veículos por meio de release, que é o texto clássico da assessoria de imprensa. Esse texto tem caráter comercial e trata de um ponto de vista. Entretanto, os últimos anos exigiram adaptação da parte dos assessores.

Segundo Yolanda, o principal motivo da mudança é a retração na quantidade dos veículos de comunicação, que têm levado muitas editoras e veículos a fecharem suas portas. Dessa forma, existem mais assessores e menos veículos. Isso levou muitos profissionais a buscarem novas formas de comunicação dentro das empresas e agências.

“Muitas agências, por exemplo, já criaram áreas de digital. Inclusive empresas e agências, porque a gente está o tempo todo nas redes sociais. As pessoas consomem, são influenciadas a partir disso. Pra você ter noção, existem pesquisas que apontam que as pessoas frequentam muito mais o YouTube do que as TVs clássicas. Então, estar no YouTube, estar no Facebook, estar no Instagram, estar em outras redes às vezes é muito mais eficaz do que propriamente você estar num veículo clássico. Eu entendo que aí você tem todo um perfil de profissional que se apresenta, que são os jornalistas que trabalham na área de digital e que são especializados na produção de conteúdo para essas plataformas”.

Com a especialização em diferentes plataformas digitais, os textos passam a ter um novo tipo de abordagem e muitas técnicas de busca são aplicadas, alavancando a notícia. Isso exige, então, conhecimento em inbound marketing, para que os assuntos abordados sejam mais atraentes ao público. Além disso a nova comunicação abarca relações públicas e o jornalismo clássico.

O impacto que Yolanda enxerga nisso tudo é que ainda existem assessorias clássicas, cujo modelo é focado na produção de release, ronda de pauta, follow-up, resultados e veículos, porem, ao mesmo tempo, existem assessorias cujo modelo é um híbrido entre o jeito orgânico e o jeito digital de fazer a coisa. Esse novo universo permite um alcance maior, pois a internet está à disposição em período integral. 

“A gente também trabalha em comunicação com dois outros cenários, dos embaixadores de marca e dos influenciadores digitais. Então, as marcas agora trabalham com embaixadores que são pessoas que representam uma ideia, um conceito. Os influenciadores também são pessoas que têm muitos adeptos. Podem ser de uma marca, um conceito, um comportamento. A comunicação está muito mais ampla, no meu ponto de vista. É o tal do conceito de comunicação 360”.

Para a assessora, como toda transição é dolorosa, assessores clássicos temem perder espaço, porém é necessário ter senso de reinvenção. Com a adaptação, o assessor passar a ser multi, por percorrer diversas tarefas e transitar diversas áreas. Isso os leva à novas experiências e conhecimento. Mas ainda há um lado negativo, segundo Yolanda:

“O principal lado negativo que eu vejo é a diminuição dos veículos de comunicação. Eu acho que não é nem só a atuação do assessor de imprensa. Eu acho que os leitores, de modo geral, perdem menos veículos. É ruim para um país, é ruim para um Estado perder veículo de comunicação. É muito ruim que, financeiramente, esses veículos não tenham respaldo. Como por exemplo, o que aconteceu com a Editora Abril. É uma pena, porque é um jornalismo de qualidade. São profissionais extremamente gabaritados e o jornalismo de qualidade é fundamental, principalmente, numa era de Fake News”

Há receio de que o conteúdo digital passe a ser desprivilegiado, mas é importante saber que é possível uma comunicação de qualidade dentro das plataformas. Nas mídias a comunicação é encurtada, porém, em contrapartida, certos momentos a produção será embasada, criteriosa e profunda, de acordo com Yolanda. Dessa forma, os cenários não irão competir, mas sim dialogar entre si. 

Como profissional experiente, nossa entrevista trouxe dicas para os assessores que desejam ser ativos nas redes sociais:

“Eu acho que a gente tem que estudar, fazer cursos de aprofundamento, porque tem métricas, tem modos, tem uma série de regras, de conceitos, de partes de tabulação que é importante que a gente saiba. Então eu acho que o estudo, o conhecimento em lugares de referência são interessantes. É algo que eu pretendo fazer pra mim, na construção e na reconstrução desse cenário”.

Leticia Nogueira

Leticia Nogueira

One thought on “Quanto menos online, mais ultrapassado – A nova cara das assessorias de imprensa

  • Avatar
    18/05/2019 at 15:03
    Permalink

    “Parabéns pelo seu trabalho Letícia, é notório que, tudo que está acontecendo no mundo hoje está tão rápido que foge do nosso controle”; más, eu creio que os dias estão sendo abreviados.

Comments are closed.